Passei toda a vida esperando pelo momento de ser mãe ou pai...
Mas agora quando este momento se aproxima, será que estou preparada (o). "Poucas são as pessoas que ao saberem que são capazes de procriar, não se preocuparam com isto.
Os anos passaram e ao tomar contato com crianças, pais e mães, foram percebendo que a tarefa não era das mais fáceis e que esta decisão era uma coisa "pra lá de séria". Um dia chega a nossa hora e fica tudo decidido, até a época ideal do nascimento, mas por mais que tentamos...nada! Não conseguimos engravidar. Já fizemos todos os exames e tratamentos.
Hoje em dia os métodos contraceptivos são variados.
Algumas pessoas pensam que poderão engravidar no dia e hora que quiserem e planejam, pensam que dominam o corpo conforme desejam, mas muitas vezes estas pessoas não são correspondidas. "Fazer um filho" não é apenas uma ação.
É, antes de tudo, uma ação que inclui e comporta algo muito complexo. São os mecanismos somáticos que estão diretamente implicados na fecundação. Mecanismos somáticos que se interpõe profundamente com a participação de dois seres: uma mulher e um homem.
Às vezes, na ansiedade de ter um filho, os parceiros procuram fazer investigações médicas muito precoces. A preocupação e ansiedade os faz exigir respostas rápidas sobre suas condições de fertilidade, embora, a maioria dos casais devesse esperar, assimilar com tranqüilidade, este tempo de espera.
Este tempo é de seis a oito meses para que possa vir a fecundação. Um casal que esteve comigo, há muito fazia tratamento, vários tipos deles, e depois de algum tempo começaram a questionar e refletir sobre outras opções, chegando a possibilidade de pensar em uma adoção. Quando deram entrada no processo na Vara da Família, veja que ato simbólico: "engravidaram".
Como se este ato fosse a sua alforria, como se tivessem assinado: "Agora estamos prontos. Podemos ser pais".
As implicações psíquicas na fecundação são decisivas, apesar de não se dar muito ouvidos a elas. Enquanto não se está namorando, nossos pais e as pessoas queridas, não vêem a hora de que você comece a namorar sério. Quando se começa a namorar, perguntam quando vão noivar ou casar, quando se casa, perguntam: para quando é o bebê?
Para algumas pessoas estas "cobranças" são mais fortes, famílias que fazem uma maior pressão, ou então, são aquelas pessoas que sempre corresponderam às expectativas familiares. Mas quando casaram, tinham a perspectiva de tomarem conta de suas vidas, de serem mais elas e deste modo, desejam sim ter um filho, mas quando elas mesmas quiserem e não por imposição familiar.
As vezes o parceiro passa por um momento de insegurança no trabalho, não se sente em condições de ser pai, outras vezes, a própria história de vida: sofrimento muito grande com os próprios pais por serem autoritários, ou porque o abandonaram, ou ainda o agrediram. Nestes momentos um medo grande de tornar a vivenciar estas circunstâncias toma a pessoa.
Outras situações são àquelas em que mulheres engravidam seguidamente, encontrando nesta condição uma maneira de escapar das relações sexuais, as quais não apreciam muito. São gravidezes em geral complicadas, nas quais a grávida passa um bom tempo se sentindo mal ,impossibilitando um contato mais íntimo.
As uniões que se dão, em geral, com tantos planos e sonhos comportam um caráter complexo do projeto de ter um filho. Cada um dos parceiros traz uma história própria de vida, angústias, alegrias e expectativas próprias sobre este filho que vai nascer e sobre a sua nova condição de ser mãe ou pai.
de mãe para mãe